Quissamã celebra ancestralidade e debate o futuro na Semana de Cultura e Integração.
Entre os dias 13 e 17 de abril de 2026, a cidade de Quissamã respirou arte, reflexão e história ao longo desta semana. A Semana de Cultura e Integração, evento realizado pelo Instituto Federal Fluminense (IFF - Campus Quissamã) reuniu moradores, artistas e intelectuais para uma programação intensa voltada ao fortalecimento da identidade local e ao diálogo sobre a diversidade brasileira.
Com o objetivo de promover a união entre as diferentes vertentes culturais que moldaram o município, o encontro ofereceu desde apresentações musicais e exposições de artesanato até mesas de debate de alto nível técnico e social.
Um dos destaques da programação foi a palestra da escritora Maria Lisbõa que conduziu a conferência intitulada 'O empoderamento da população negra na construção do país', atraindo um público atento e diversificado. Durante sua fala, Lisbõa traçou um panorama histórico necessário, destacando que o empoderamento vai além da representatividade estética; trata-se do reconhecimento do protagonismo negro na economia, na política e na tecnologia desde os tempos coloniais até a contemporaneidade.
"Falar sobre o empoderamento da população negra em Quissamã é resgatar a própria essência desta terra. É preciso que as novas gerações entendam que o Brasil não foi apenas construído por mãos negras, mas pensado por mentes negras que resistiram e inovaram", pontuou a palestrante.
Integração e Comunidade
Além das palestras, o evento contou com:
• Oficinas Gastronômicas: Resgate de receitas quilombolas e tradicionais da região.
• Roda de Jongo: Celebração da herança rítmica do estado do Rio de Janeiro.
• Feira de Economia Criativa: Espaço para empreendedores locais exporem produtos que carregam a identidade quissamaense.
Entre as atividades culturais, destacaram-se também as rodas de leitura, a oficina “Pintura de Mandalas: arte, concentração e inclusão” e a apresentações musicais, além de outras atrações que enriqueceram ainda mais a programação.
Também houve a participação da artesã Rosângela Santana fazendo bonecas, brincos e colocando turbantes nas alunas. Rosângela é numa artesã comprometida em divulgar a arte afro-brasileira em seus trabalhos. Ela apresentou várias formas de colocar turbantes com desenhos com características afro. Independente da sua participação no projeto do IIF, diversificando várias formas de usar os turbantes, ela ainda tem outro trabalhos como quadros, brincos, pinturas. Conhecer seus trabalhos é visitá-la na feira às quartas-feiras na praça e também no quiosque aos sábados.
Para o IFF, a 'Semana de Cultura e Integração' marcou o início do todo os anos letivos e teve como objetivo recepcionar os estudantes ingressantes com um conjunto de atividades acadêmicas e culturais que promovessem o debate de temas relevantes para uma formação omnilateral. Além disso, tratou-se de oportunizar uma maior interação entre estudantes, servidores e comunidade externa.
Os organizadores ressaltaram que o evento já se consolida como um marco no calendário oficial, reafirmando o compromisso da cidade com políticas públicas de igualdade racial e valorização do patrimônio imaterial.
Maria Lisbõa encerrou sua palestra declamando um de seus poemas:
Onde a Gente se encaixa?
O mundo é grande, mas parece estreito,
Quando tentam ditar qual é o nosso lugar.
Dizem que o espaço tá lá, que é direito,
Mas esquecem de ver quem eles deixam entrar.
A gente fala alto, mas eles fingem que é ruído,
A gente cria a moda, mas o crédito some.
É como se o nosso brilho fosse proibido,
Ou se a história quisesse apagar nosso nome.
Estar "à margem" não foi escolha nossa,
Foi um muro erguido pra gente não passar.
Mas não se engane: a nossa voz é grossa,
E o silêncio deles não vai nos calar.
Empoderamento não é só uma palavra,
É saber que o seu cabelo e a sua cor,
São as raízes de uma força que grita,
Não espere que abram a porta da frente,
A gente já sabe como o jogo funciona.
Ocupa o espaço, segue em frente,
Pois quem tem história é quem se posiciona.
Olha pro lado, você não tá sozinho,
A resistência corre na veia e no chão.
A gente constrói o próprio caminho,
Com a mente ligada e o punho na mão.
Maria Lisbõa

















